Resenha “Uma análise sociolinguística da língua utilizada na internet: implicações para o ensino de língua portuguesa”

Resenha de 2018, escrita para a disciplina Linguagens da Cibercultura, em conjunto com Ingrit Barreto Cardoso, durante a graduação.

 

RESENHA

FREITAG, R. M. K.; FONSECA E SILVA, M. Uma análise sociolinguística da língua utilizada na internet: implicações para o ensino de língua portuguesa. Revista Intercâmbio, vol XV. São Paulo: LAEL/PUC-SP, 2006.

Tendo como tema a língua utilizada na internet e a sua relação com o ensino da norma padrão, o artigo objeto desta resenha divide-se em introdução, três seções de desenvolvimento e conclusão. As seções tratam respectivamente: do conceito de norma padrão e variedade dialetal; de uma proposta de definição para a língua utilizada na internet; e algumas considerações sobre o conceito da língua utilizada na internet e suas utilizações para o ensino de língua portuguesa. Assim, justifica-se a relevância do tema pelo exponencial crescimento da presença da internet na vida cotidiana, incluindo a escolar.

Na primeira seção, “Norma padrão e variedades linguísticas”, discute-se as definições destas com base em Possenti, Perini e Faraco, sendo a conclusão das autoras de que a língua usada na internet não é uma variedade e que também não possui variedades linguísticas, porque na web as diferenças dialetais são limitadas. Freitag & Fonseca e Silva acreditam que essa comunicação virtual é mais um “subconjunto” da norma padrão, condicionada pelas pressões do meio, como uma sub-norma. Ou seja, não tem uma pátria, não tem características dialetais. Entretanto, a variação linguística é um fenômeno que ocorre pela diversificação das regras de uma língua em relação às possibilidades de alteração de seus elementos (vocabulário, pronúncia, morfologia, sintaxe), como nos exemplos “nuvem”, “vírus” e “rede”, que possuem significados próprios na internet.

Em seguida, a seção “A língua utilizada na Internet” discute sobre as suas principais particularidades. Apresentando as concepções de Thurlow & Brown, chega-se à conclusão de que as mudanças feitas no ambiente virtual são para atender as necessidades de economia de tempo e espaço. Dessarte, as autoras sugerem que, para se comunicar virtualmente, o indivíduo deve dominar as regras padrão de sua língua, uma vez que para entender tais mudanças, o internauta teria que ter intuições linguísticas aguçadas. Retomando o raciocínio trabalhado na seção anterior, denomina-se essa linguagem como uma “sub-norma” da padrão: uma norma dentro da norma. Por fim, elas declaram que a língua utilizada na internet não deve ser taxada de desregrada, porque na realidade existem regras que dependem do conhecimento da norma padrão.

“A internet e o ensino da língua portuguesa”, última seção do artigo, busca apresentar os problemas e possíveis soluções para o desprestígio da então sub-norma da internet. Analisando o uso das abreviações e emoticons, é feita uma retomada histórica para demonstrar que ambas as aplicações já eram utilizadas na escrita não virtual. Há a sugestão de que essa seria uma forma de evitar que pessoas fora do grupo entendessem as mensagens, o que nos parece descompassado com o que de fato ocorre, já que a linguagem da internet atinge proporções de nível nacional a mundial. Como resposta ao que a escola vivencia, a sugestão é de que se faça uma relação entre os usos das duas normas, adequando-as ao meio.

Por fim, a seção de conclusão retoma o trabalho de ensinar os alunos a respeitar a linguagem exigida em cada plataforma, apresentando a da internet como uma variedade sócio-estilística da língua. Acabam por deixar em aberto o ponto sobre o internetês para falantes pouco escolarizados, resumindo a questão apenas à “intuição linguística aguçada” e “domínio da norma padrão”, incluindo de outras línguas.

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